Dia de lembrar do mestre John Hughes

Se estivesse vivo, o diretor John Hughes completaria 64 anos hoje. Muita gente não deve lembrar o seu nome, mas todo mundo já assistiu praticamente todos os seus filmes, principalmente o maior clássico da história da Sessão da Tarde: Curtindo a Vida Adoidado. E, apesar de nunca ser lembrado nas famosas listas de ‘os melhores cineastas de todos os tempos”, é inegável a sua contribuição para o cinema, principalmente quando o tema é ‘filme de adolescentes” dos anos 80.

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Hughes entendeu como poucos a cabeça da molecada daquela época e conseguiu traduzir em filmes todos os sentimentos, desejos, angústias e sonhos daquela geração. E isso já se nota em seu primeiro filme, “Gatinhas e Gatões (1984)”, que mostrava as frustrações de uma adolescente prestes a completar 16 anos, apaixonada pelo garoto mais popular da escola, que é o amor platônico de um garoto tímido e vê seu aniversário sendo completamente esquecido pela família que esta com as atenções voltadas única e exclusivamente para o casamento da irmã mais velha. Além disso, o filme lançou dois atores que marcaram muito a geração dos anos 80: A ruiva Molly Ringwald e Anthony Michael Hall.

No ano seguinte ele fez aquele que é seu melhor e mais importante filme: “O Clube dos Cinco (1985)”. Além de Molly e Anthony, o “clube” era formado por Emilio Estevez, Judd Nelson e Ally Sheedy que, junto com os outros dois, estavam confinados na escola num sábado inteiro cumprindo detenção. Completando o elenco, somente outros dois personagens têm destaque no longa: Paul Gleason, como o diretor da escola e o zelador vivido por John Kapelos.

Mas a história fica mesmo nos cinco personagens, que, a princípio, são totalmente diferentes um dos outros (rotulados pelo diretor como O Atleta, O Cérebro, A Princesa, A Complicada e O Criminoso), que se repudiam de início, mas aos poucos vão se conhecendo, dividindo seus problemas e descobrindo que no fundo todos eles são bem parecidos. Um clássico desse segmento que ajudou muitos pais a entenderem como pensam seus filhos.

No mesmo ano, Hughes fez a alegria os nerds de plantão com “Mulher Nota 1000”. Mais uma vez com Anthony Michael Hall no papel de geniozinho, mas que dessa vez usa a cabeça privilegiada para criar no seu computador a mulher perfeita. E nada melhor do que Kelly LeBrock representar a perfeição feminina no filme (naquela época, claro). Se ela, que tinha acabado de se tornar sexy symbol em A Dama de Vermelho, já era o objeto de consumo de qualquer marmanjo, imagina da galera nerd que não tinha chance alguma com a mulherada. Pela primeira vez, os nerds tiveram uma chance. E que chance…

A obra-prima de Hughes veio em 1986. “Curtindo a Vida Adoidado (1986)” se tornou o “clássico dos clássicos” da Sessão da Tarde. Impossível alguém não ter visto esse filme na Globo, no cinema, em VHS, DVD, Blu-Ray, computador, you tube ou o que quer que seja. Impossível alguém não ter desejado uma tarde como a de Ferris Bueller, que dá uma cabulada de aula fenomenal para ter um dia perfeito.

E entenda-se como dia perfeito enganar os pais, sacanear o diretor da escola, almoçar no melhor restaurante da cidade (como esquecer o golpe do Rei da Salsicha de Chicago!!!!!!!!), visitar um museu, o Sears Tower, dirigir uma Ferrari, assistir um jogo de beisebol do seu time de coração e se meter no meio de uma parada alemã para realizar uma incrível performance de Twist and Shout. Tudo isso num único dia e acompanhado da namorada e do melhor amigo. Imperdível, incomparável e inesquecível.

Depois do seu maior clássico, Hughes entrou num declínio total. O começo do fim veio com a mudança do foco. Fora do universo teen, Hughes fez “Antes Só que Mal-Acompanhado”(1987). Um bom filme até, estrelado por Steve Martin e John Candy (dois grandes comediantes que estavam em um momento ruim de suas carreiras), ótimas sacadas e bom roteiro, mas que se perde no final com um desfecho pra lá de piegas. Mesmo assim, vale a pena ver porque o timing de Martin e Candy está ótimo e algumas cenas são antológicas (como a dupla ainda sem se conhecer direito tendo que dividir a cama de casal em um hotel de quinta categoria).

Seus últimos três filmes foram decepcionantes. “Ela Vai Ter um Bebê (1988)”, com Kevin Bacon e Elizabeth McGovern; “Quem Vê Cara Não Vê Coração (1989)” novamente com John Candy e lançando o jovem Macaulay Culkin e o terrível “A Malandrinha (1991)”, com James Belushi.

Depois disso escreveu e produziu alguns filmes que não fizeram grande alarde, salvo os dois primeiros Esqueceram de Mim, que lançaram Culkin ao estrelato e fizeram muito sucesso com a criançada. Mas nem mesmo esse final de carreira derrapante é capaz de apagar ou diminuir a sua importância na história do cinema. Quem foi criança ou adolescente nos anos 80 que o diga. Hughes morreu no dia 6 de agosto de 2009, vítima de um ataque cardíaco enquanto caminhava em Manhattan.

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