Lost: 10 anos da série que revolucionou a TV

Lost2Se tivéssemos que usar apenas um adjetivo para classificar Lost, o correto seria chama-la de revolucionária. Criada por J.J. Abrams, a série celebra nesse 22 de setembro 10 anos de sua estreia e pode ser considerada um marco na história da TV mundial porque junto com a popularização da internet, mudou a maneira de assistir televisão. Isso se deve a alguns fatores. Um piloto excepcional, um roteiro enigmático e muito bem trabalhado (principalmente nas duas primeiras temporadas), a criação de ‘sites falsos’ sobre assuntos relacionados exclusivamente ao universo de Lost e os intrigantes flashbacks e flashforwards que levavam o espectador ao passado e futuro dos seus personagens pra lá de carismáticos.

Além disso, Lost foi a série que tirou o espectador do sofá e o colocou na frente do computador. Seja para baixar o episódio horas depois de sua exibição na TV americana ou para procurar em fóruns e sites de relacionamento as referências citadas durante os seus 40 e poucos minutos de exibição.

E não era pouca coisa. Filosofia, ciência, religião, física, política, matemática, literatura… Tudo fazia parte do universo Lost. Um simples nome de personagem era motivo de buscas, teorias, referências e ligações com outros personagens, fatos ou lugares.

Pode apostar numa coisa: Se você “assiste TV” no seu smartphone, tablet ou notebook hoje é porque Lost existiu. Apesar de não ser a responsável direta por isso, a série teve a sorte de estrear justamente quando a internet tomou conta do mundo e soube aproveitar muito bem esse gancho.

Os personagens de Lost

Uma das características mais marcantes de Lost era a quantidade de personagens carismáticos da série. Cada um com sua peculiaridade, ninguém tão santo e nem tão mal, cada um sobrevivendo a sua maneira, porém todos sofrendo por algum motivo e que de certa maneira pegou o mesmo avião e conseguiu sobreviver à queda do vôo 815 da Oceanic para ingressar no mundo fantástico daquela ilha misteriosa.

Jack, Sawyer, Desmond, Kate, Lock, Hurley, Benjamin, Walt, Richard, Claire, Rose & Bernard, Danielle, Sayd,Penny, Charlie, Mr. Eko, Juliet, Sun & Jin e até o cachorro Vincent marcaram muito a vida de quem assistia Lost. Personagens que, com seus altos e baixos, tinham grande identificação com o público, cada um à sua maneira.

O começo eletrizante

As duas primeiras temporadas foram um primor. A luta pela sobrevivência, aliada aos mistérios da ilha (uma escotilha no meio do mato, um monstro de fumaça, antigos moradores do local, uma francesa que vive sozinha há 16 anos lá e um urso polar correndo em uma floresta tropical, por exemplo) e com os dramas externos de cada personagem conquistou o espectador e transformou Lost praticamente em uma religião. Adeptos ao novo ‘culto‘ surgiam a cada dia, promovendo discussões infinitas e teorias cada vez mais complexas para tentar elucidar os enigmas do seriado. Quem são os Outros? Por que a Ilha tem o poder de curar? O que é a Iniciativa Dharma? Quem os colocou ali? Essas eram apenas umas das zilhões de perguntas que pipocavam na cabeça dos fanáticos pela série.

Os melhores personagens de Lost foram apresentados nesses anos. Os sobreviventes da parte da frente (primeira temporada) e de trás do avião (segunda temporada) que acabam se encontrando para tentar solucionar os mistérios e sair da ilha de uma vez por todas.

O começo da queda

No terceiro ano da série, Lost começou a perder o fio da meada. Ao dar voz aos sobreviventes figurantes das temporadas anteriores (o que era o personagem de Rodrigo Santoro???) não responder nenhuma das questões lançadas e ficar muito tempo focada na vida dos Outros (que não levou a série a lugar algum), os fãs começaram a ficar irritados (com razão) e a audiência começou pipocar. Os produtores começaram a se preocupar mais com a reação do público e tentaram acalmar os ânimos avisando que “praticamente tudo seria explicado em Lost”. Uma das teorias que mais acirravam as discussões na internet era que a ilha era uma espécie de purgatório. Fato que foi negado categoricamente pelos criadores da série.

A queda

A partir do quarto ano o que se viu foi muita encheção de lingüiça, sub-tramas que não levavam a lugar algum, novos personagens e novos mistérios aparecendo cada vez mais e a esperança de que teríamos uma explicação lógica para tudo sendo enterrada de vez. A ciência deu lugar a ficção científica, com viagens no tempo e realidades paralelas, e a filosofia e literatura parecem terem caído nas mãos do Paulo Coelho.

O triste fim

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Mas o pior ainda estava por vir, quando a sexta e última temporada começou e Lost rumou para um caminho extremamente perigoso: O misticismo. Permitindo assim que tudo fosse ‘explicado’, sem que nenhuma explicação fosse dada realmente.

O mistério e a ciência morreram de vez, dando lugar a uma luta entre o bem e o mal. O branco contra o preto. E a busca por uma luz (sim, uma luz) que seria o coração da ilha e deveria ser protegida do monstro de fumaça. Além disso, tínhamos uma realidade paralela, onde os ‘losties’ tinham uma vida mais digna, não sofriam dos males que o atormentavam na vida real e não eram sobreviventes do vôo 815 da Oceanic, pois o avião que saiu da Austrália, cumpriu sua rota normalmente aterrissando em Los Angeles sem problema algum.

Não se sabe como, mas os personagens na realidade paralela começaram a se lembrar da outra realidade, os losties se lembraram uns dos outros e acabam promovendo um encontro em uma igreja (ou templo religioso qualquer, não dá para saber com exatidão) para enfim chegarmos a uma conclusão não tão conclusiva: A realidade paralela, e não a ilha, era o purgatório.

Lost reuniu ao longo dos anos elementos que poderiam marcá-la como a maior série de TV de todos os tempos, mas os produtores jogaram tudo pelo ralo ao cederem a pressão dos executivos da ABC para alongar o enredo por mais temporadas e acabou se perdendo dentro de sua própria ganância e ambição. Apesar disso, o final decepcionante não diminui a importância de Lost, que será lembrada para sempre como a série que uniu a televisão com a internet.

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